O
assunto que irei desenvolver nesta critica, foi fruto do acaso, quando há umas
semanas visionei o documentário Força Sobre-Humana, no Discovery Science.
O que é
explorado no documentário é o desejo intenso do Homem desde o inicio dos tempos
em mostrar a sua força e desenvolvê-la o mais possível, levando os artistas a
perderem-se na sua imaginação, reflectindo-se em obras literárias e, até,
cinematográficas. Até que ponto a fantasia
não se pode tornar realidade?
No
entanto, o ponto essencial da questão é o actual estado deste desejo pela super-força, em pleno século XXI. Assim, é importante destacar a seguinte afirmação:
"No Centro de Treino Olímpico dos Estados Unidos (...) humanos treinam para ter desempenho com força e precisão de máquinas, auxiliados pela tecnologia desportiva ou ciência desportiva."
"No Centro de Treino Olímpico dos Estados Unidos (...) humanos treinam para ter desempenho com força e precisão de máquinas, auxiliados pela tecnologia desportiva ou ciência desportiva."
Foi a
partir desta afirmação que a ligação entre o documentário e conceitos como futuro e ideias utópicas
se estabeleceu automaticamente na minha mente. As máquinas, a tecnologia, são indispensáveis
para definir este século e o Homem para poder evoluir fisicamente, ser um
‘herói’, não quer, mais uma vez, prescindir delas. No caso especifico dos
atletas, os cientistas apoiam-se na cinemática,
um ramo da física que se ocupa da descrição dos movimentos dos corpos.
Ainda
assim, é nos últimos 10 minutos do documentário, que a relação Homem-Máquina é
explorada de forma mais interessante. Há muito tempo que o Homem vê na ciência
uma fonte de segurança em casos de guerra e são referidos dois exemplos disso
no documentário.
Actualmente,
os cientistas procuram formas de instalar força sobre-humana no uniforme dos
soldados, construindo exo-esqueletos blindados. São, assim, procuradas
maneiras, principalmente mecânicas, de aumentar a força e a resistência humana.
Por isso, o soldado de hoje está em constante desenvolvimento e não será
reconhecido no futuro. “Com o exo-esqueleto um soldado conseguiria carregar
180kg de equipamento até 4horas sem se cansar.”

Outro exemplo: O exército norte-americano trabalha num programa ‘Future Warrior” que acredita que a força sobre-humana talvez venha da nano-tecnologia. A força pode ser inserida no uniforme do soldado a nível molecular, como uma segunda pele, rica em inteligência artificial, como roupa capaz de dar força sobre-humana ao seu utilizador.
O
sonho dos americanos é, portanto, num futuro breve ser possível usar o exo-esqueleto juntamente
com a nano-tecnologia, tornando os seus soldados quase invencíveis, “uma
mistura altamente especializada de homem e de máquina”.
Tal
como Voltaire ou Saint-Simon acreditavam, o Homem sente que pode aperfeiçoar a
sociedade, corrigir a Natureza (a si próprio) através da razão humana
(ciência). Assim, o Homem não só não prescinde das máquinas para evoluir, como
quer ser uma, fazê-la parte de si, inseri-la literalmente no seu próprio corpo.
Numa
cultura que idolatra a força, o controlo e o poder, ficará o Homem refém do seu
desejo por mais? Poderá o Homem ficar dominado por aquilo que criou e tornar-se
um escravo da máquina?
Link:
http://www.youtube.com/watch?v=mL1yh2MZUhk
