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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Prisão Invisível?


A Alemanha durante a primeira metade do século XX, por duas vezes procurou conquistar a europa e o mundo, tendo utilizado como meio a guerra com vários países, conhecidas na atualidade como as duas grandes guerras mundiais. Um factor de enaltecer e interrogar, por ter  grande influência sobretudo na segunda guerra mundial, foi como convencer a população inteira de um pais a mudar uma mentalidade e assim entrar em guerra com todos os outros?
Os Mass Media foram o fundamental responsável a par de Hitler, que capacitou o poder destes e usou-os para manipular um país inteiro visionando  que a razão estava do lado deles independentemente da opinião dos outros países. Hitler teve de fez, portanto, uma grande propaganda no sentido de manipular uma grande sociedade em massa e usou os Mass Media como meio de comunicação.
A Teoria Hipodérmica desenvolvida por Harold Lasswell explica o efeito dos mass media na sociedade de massa, não havendo qualquer indiferenciação nos meios de comunicação existentes. Esta teoria é basicamente uma teoria de propaganda e sobre a propaganda, que dita que existe um receptor determinado como elemento individual, que arrecada a mensagem diretamente de um emissor superior, obedecendo-o e sem se impugnar. O pensamento é regulado de forma colectiva, mostrando que o grupo ou a massa negam qualquer tipo de singularidade ou individualidade, sendo por isso criada uma resposta homogénea. A recepção da mensagem por parte do grupo, muitas vezes não acomoda a qualquer tipo de experiência, valor ou ideia patente no seu conteúdo, o que causa um afastamento do seu círculo cultural e ideológico e uma subversão de pensamento a cada um dos seus elementos. O emissor, muitas das vezes apreciado como um líder carismático, manipula o receptor com a sua mensagem, causando efeitos instantâneos de veracidade, que negam qualquer possibilidade de estudo ou reflexão por parte de quem a recebe. A propaganda quando alcança a sociedade de massas, torna-se persuasiva, dissolvendo e fragmentando quaisquer ligações às culturas locais e tradicionais. Por este meio, a Teoria Hipodérmica defende que a relação direta que existe entre a exposição dos indivíduos às mensagens do remetente e o comportamento que estes elementos têm perante este processo, cria um controlo e uma manipulação que os leva a agir. Existe então, um jogo de relações interpessoais e uma organização social apática no núcleo em questão.
Esta Teoria é utilizada na perfeição neste período entre as duas Guerras Mundiais onde a propaganda pelo Mass Media operou como manipuladora de um pais com o propósito de consideração de um herói (Hitler) e na grande maioria o povo não se apercebeu deste controlo,  sendo por tanto prisioneiros de algo que apesar de não ser visível ou físico tem um poder bruto. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Radionovela projecção para o futuro!



Durante o séc. XX os anos 40 foram marcados mundialmente por questões que anteriormente nunca tinham sido contestadas, desde os valores sociais ao rompimento de “quadros de referencia” artística. Um período conturbado que fica essencialmente marcado e definido pela segunda guerra mundial, no entanto o tema que quero abordar envolve-a mas surge antes dela- A dramatização em rádios- conta uma história de mais de 70 anos de idade, tendo sido, com a ascensão tecnológica e as alterações sócias,  quase esquecida. Durante o final da década de 40, o drama de rádio e as radionovelas estavam no seu auge, que aos poucos e poucos veio a desvanecer com o surgimento e a expansão da televisão, e retornou no tempo voltando a 1920 onde os programas de rádio formais eram desconhecidos, e a maioria das transmissões à semelhança dos dias de hoje eram principalmente de conversas e música, naturalmente em menor número de transmissões.  Em meados dos anos 20, as maiores estações de rádio começaram a desenvolver e emitir programas utilizando anunciantes e narradores. E é desta forma que se foram desenvolvendo as radionovelas, sendo a primeira emitida em 1927 com o seu próprio guião original, com narradores como John Flynn e Virginia Moore.

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 John Flynn e Virginia Moore em gravações de uma radionovela

No início dos anos 30 a forma de comédia dramática começou a ganhar algum destaque, pois adoptou uma linha de história fazendo com que, pelos potenciais resultados demonstrados pela rádio, surgissem muitos patrocínios  à mesma com intuito de receber algum tempo de antena em troca. E finalmente entramos na década de 40, que reforcei no início deste post porque de facto foi aqui que estes programas e rádio atingiram o seu grande auge pois refletiam o envolvimento, principalmente, dos Estados Unidos na II Guerra Mundial. Este feito fez com que o número de programas relacionados com o interesse humano aumentasse, onde o número de horas semanais dedicadas ao noticiário dobrasse, as raionovelas explodissem em número, provavelmente devido à abundância de noticias da guerra. Com o cansaço de ouvir o destes, os ouvintes preferiam optar por programas considerados de “fuga”, como o drama, a comédia e o suspense. Por esse mesmo motivo, uma série dramática com mais destaque até aos dias de hoje intitulava-se de Escape. Mais tarde, nos primeiros anos de televisão, os patrocinadores eram difíceis de encontrar e era muito caro criar um programa de raiz totalmente desconhecido, portanto as formas que existiam eram de transferir os programas de sucesso da rádio diretamente para a televisão.  Vários estudos foram feitos com base na influência das rádionovelas na vida dos ouvintes. O principal e mais destacado foi feito pela austríaca Herta Herzog, com base na Teoria dos Usos e Gratificações que reuniu 100 mulheres, e investigou os seus hábitos de leitura e de escrita, uma discussão detalhada dos programas favoritos, as atividades sociais, etc. Conseguindo concluir que surgiam em todas elas três reações: permitiam a libertação das suas emoções- canalizavam as suas emoções para a história, pois não o exprimiam na sua vida real, tinham a oportunidade de chorar; permitia aos ouvintes o desejo de remodelação da sua vida de “escravidão”- aceitavam a história como um substituto da realidade, procuravam constantemente novas surpresas que na vida real não lhes eram dadas, sentiam-se na pele do personagem, uma vida excitante e “emprestada”; e permitia obter receitas para o ajustamento- contrariam a vida monótona fornecendo uma sequência de eventos com continuidade, dão fórmulas de como agir em determinada situações, proporcionando uma sensação de segurança, etc. 

Herta Herzog (1910- 2010)


Embora as radionovelas tenham totalmente desaparecido da vida do homem contemporâneo, este acaba por procurar as mesmas gratificações que se obtinham através destes programas.
São exemplo disso as séries e novelas transmitidas pela televisão, em que a base da história continuada é transferida da rádio para a televisão, que pretende relatar um modelo de construção de sociedade que as pessoas procuram também seguir. Os reality-shows são outro grande exemplo disso, em que as pessoas que o veem procuram obter uma sensação de superioridade (é até bastante frequente ouvir comentários que rebaixam os concorrentes intelectualmente) e de controlo.
Vivemos numa época em que as redes sociais dominam a vida em sociedade. Desta forma, é possível verificar que as pessoas procuram nestas redes várias gratificações: algumas pessoas vivem uma vida praticamente virtual; outras acabam por viver em demasia a vida dos outros, aceitando e substituindo a sua vida social numa vertente “cara-a-cara”, pela vida virtual.
Estes exemplos são, no fundo, ferramentas que as pessoas utilizam hoje em dia, como fuga à realidade, apropriando o seu uso, como um hábito e rotina diária de entretenimento e alienação. Tal como nos anos 40, as radionovelas eram uma forma de “não pensar” sobre o flagelo da Segunda Guerra Mundial, hoje em dia, todas estas ferramentas são também utilizadas para que as pessoas não sejam obrigadas a pensar a todo o momento por exemplo sobre a atual crise económica que se vive, em particular, em Portugal, ou nos seus problemas íntimos.

Radio Siemens- Anos 40