Hoje em dia, a
literatura, o cinema, os videojogos e até a música estão, cada vez
mais, a usar cenários apocalípticos como expressão artística. O
cenário mais comum é o de uma cidade devastada por explosões,
completamente destruída onde o protagonista da narrativa tenta
sobreviver nos destroços. Noutra esfera, está o cenário de uma
cidade abandonada, vazia, sem qualquer sinal de destruição ou
ataque. Este é o cenário mais perturbante, porque não percebemos o
que levou ao desaparecimento da população quando não há um sinal
de violência extrema que nos leva a perceber que a cidade foi
atacada de alguma forma.
No trabalho de Aaron
Hill, em que fotografias de longa exposição (2 a 3 horas), na
cidade de Nova Iorque, eliminam qualquer forma de movimento,
deixando-nos intrigados e a imaginar diferentes acções que possam
ter acontecido durante a exposição fotográfica. Para mim,
imediatamente me dez pensar num cenário apocalíptico, senti-me como
um personagem a olhar a cidade deserta e a tentar perceber o que se
passou.
Mais uma vez, pelo site
Kickstarter encontrei este projecto, em que o fotografo se propõe a
viajar o mundo e tirar fotografias deste género em vários locais.
Seria bastante interessante ver como são os locais mais movimentados
por onde passamos diariamente, sem toda a agitação humana, podia
ser uma experiência semelhante ao ambiente apocalíptico, mas ao
mesmo tempo enigmático e místico, ao contrario do ambiente
devastador a que estamos habituados.
The Flatiron, Lunchtime, 2012
